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Demi Lovato e a era “Dancing With The Devil… The Art Of Starting Over”

9 de abril de 2021
ATENÇÃO: Este post contém temas delicados que podem
desencadear gatilhos emocionais. Se não se sentir à vontade, pode sair sem
problemas, e se precisar procure ajuda. Ligue 188!

A cantora e atriz Demi Lovato acaba de lançar mais um álbum, o sétimo de sua carreira. “Dancing With The Devil… The Art Of Starting Over” (em tradução livre “Dançando com o diabo… A arte de começar de novo) chegou às plataformas digitais no dia 02 de abril, e já pode ser considerado o mais pessoal e honesto de sua carreira, de forma bem profunda.

O álbum é o sucessor de “Tell Me You Love Me”, lançado em 2017, e de lá pra cá a cantora realizou uma turnê, se apresentou no Rock In Rio Lisboa, lançou alguns singles e parcerias, e passou por um dos momentos mais difíceis de sua vida: Uma overdose que quase a matou, em 2018.

E é justamente este o ponto de partida para a criação do disco. O trabalho traz 19 faixas (na versão original e 23 na versão deluxe) e é dividido em duas partes: Prelude (Dancing With The Devil) – com as 3 primeiras músicas que falam de como ela enfrentou esse momento; e The Art Of Starting Over – com as demais canções falando da sua jornada de superação. Segundo a própria Demi as faixas devem ser ouvidas na ordem, pois assim elas contam o desenrolar de sua vida nos últimos anos.

Capa do álbum

Pode preparar que esse será um dos trabalhos mais elogiados de Demi. Pessoalmente, encontrei uma cantora bem mais madura, tanto em sonoridade quanto em letras, experimentando novos elementos e estilos musicais e com uma potência vocal ainda mais forte. Demi é muito conhecida por sua voz, mas parece que o tempo de descanso decorrente da recuperação após a overdose e da quarentena, a deixaram ainda melhor.

Dancing With The Devil… The Art Of Starting Over traz faixas envolventes, algumas sensíveis e outras alegres, que remetem à história da própria cantora com uma forte influência das músicas que dominaram as paradas musicais no início dos anos 2000. Ouvindo o álbum, por diversas vezes fui carregado por nostalgia e transportado a essa época.

Capa do single “Dance With The Devil”

Uma das faixas mais especiais é “ICU (Madison’s Lullabye)”, dedicada à sua irmã mais nova, Madison De La Garza. O título é um trocadilho, já que ICU é o equivalente a UTI nos Estado Unidos e sua leitura remete à frase “I See You” (Eu Vejo Você). A dedicatória existe porque, segundo Demi, ao acordar e ser informada que havia sofrido uma overdose ela não conseguiu reconhecer a própria irmã, que estava ao lado de sua cama, por conta de uma cegueira.

Outra faixa especial, principalmente para os fãs, é “Met Him Last Night”, a tão aguardada parceria com Ariana Grande. A canção é uma das mais gostosas do álbum e assim como a primeira faixa-título, fala sobre o contato com o diabo (vício) e como isso às vezes é inevitável. Além de Ariana Grande, o álbum também conta com as participações de Noah Cyrus, Sam Fischer, e Saweetie.

“Met Him Last Night” foi anunciada como single (com a intenção de gravação de clipe, mas sem data de lançamento), mas outras faixas já foram trabalhadas, como “Anyone” que rendeu uma incrível apresentação no Grammy de 2020, “What Other People Say” com Sam Fischer, lançada em fevereiro, e “Dancing With The Devil” que se tornou o carro chefe do trabalho e teve o clipe lançado logo após o álbum.

O registro dirigido por Demi Lovato & Michael D. Ratner recria a noite anterior à overdose mostrando detalhes vividos por Demi até o seu despertar na UTI.

O álbum está disponível em todas as plataformas digitais, inclusive no YouTube, com um visual incrível, inspirado em caleidoscópios e borboletas.

Série

E o álbum é só uma parte do que Demi produziu para esta “era”. Pouco antes do lançamento oficial das novas músicas, a cantora deu inicio à divulgação da série “Dancing With the Devil”, em parceria com o YouTube. A série documental é dividida em quatro partes e conta com muitos detalhes a trajetória de Demi, desde a recaída no álcool e nas drogas até a superação e mudança de visual.

Tocando em assuntos muito delicados, os episódios foram criados com depoimentos da própria Demi Lovato e de pessoas ligadas a ela, como suas irmãs, sua mãe e padrasto, amigos, assessores, seguranças, artistas como Christina Aguilera e Elton John, e a assistente que a encontrou desacordada e chamou o serviço de emergência.

Várias cenas foram ilustradas de forma muito dinâmica, mostrando uma ideia dos momentos vividos. Um dos pontos importantes é que a produção dá espaço para os amigos de Demi se defenderem, já que na época eles foram acusados de levá-la a uma festa, oferecer álcool e drogas e depois abandoná-la. A consequência foi um hate extremo por parte dos fãs, que acabou influenciando suas carreiras, como no caso da ex-coreógrafa que perdeu trabalhos por conta das notícias falsas. A série desmente boatos e explica exatamente o que aconteceu antes, durante e depois da overdose.

Uma das capas alternativas do álbum

Em uma das cenas mais fortes, e a que mais me marcou, Demi descreve os efeitos que o acontecimento lhe causou:

“Acho que as pessoas não têm ideia do quão pesado foi. Tive três derrames. Tive uma parada cardíaca. Sofri lesões cerebrais pelos derrames. Não posso mais dirigir. Tenho pontos cegos em minha visão, então às vezes, quando vou colocar água em um copo, eu erro o copo porque não enxergo. Também tive pneumonia, porque tive asfixia, e tive falência múltipla dos órgãos.”

Demi abre o jogo sobre assuntos muito delicados e fala abertamente sobre abusos sexuais sofridos por ela no início de sua carreira e na noite de sua overdose (pelo traficante que lhe forneceu as drogas), as recaídas e como escondeu o uso de drogas dos amigos, a pressão de sua antiga equipe para “mantê-la na linha”, depressão, transtornos alimentares, o fim de um noivado, um falso diagnóstico de bipolaridade, entre outros.

O álbum pode ser considerado uma trilha sonora para a série, já que ambos trazem os mesmos temas. Além das já citadas acima (“Dancing With the Devil”, “Met Him Last Night” e “ICU”) que têm seus assuntos abordados na série, podemos destacar “Melon Cake” que remete aos “bolos de melancia” com chantilly que Demi recebia de sua equipe para comemorar seu aniversário, “My Girlfriends Are My Boyfriend” e “The Kind Of Lover I Am” que falam de sua sexualidade fluida.

Todos os episódios já estão disponíveis no YouTube e contam com a opção de legenda em português, pra quem não manja do inglês fluente.

Tik Tok e apresentações ao vivo

E a menina não para! A divulgação está pesadíssima e já temos apresentações de várias faixas do álbum. Em parceria com o TikTok, Demi apresentou algumas músicas do novo álbum em um estúdio, com banda e todo maravilhoso. Já tem playlist disponível com as apresentações no canal da cantora:

Mas antes mesmo de lançar o álbum, Demi já havia apresentado as três faixas do prelude em formato acústico durante a premiere do documentário, em Los Angeles. O show foi em formado Drive Thru.

Outra apresentação linda foi durante o programa GMA, da rede abc. Demi performou “The Art of Starting Over” toda linda! A cantora segue concedendo entrevistas e participando de lives para promover o trabalho.

SEM DEFEITOS!

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